Revista revoluciones. (2021). Vol. 3 Num. 3. pags. 14-26

Revista revoluciones https://revistas.inudi.edu.pe/rr ISSN: 2710-0499 ISSN-L: 2788-0480 Editada por: Instituto Universitario de Innovación Ciencia y Tecnología Inudi Perú
Artículo original

As falácias discursivas do presidente Juan Orlando Hernández no juízo por narcotráfico do seu irmão Antonio "Tony" Hernández

DOI: https://doi.org/10.35622/j.rr.2021.03.003

Resumen

O juízo de Tony Hernández é provavelmente para a história política de Honduras o momento mais importante, por ser a primeira vez que um político hondurenho é processado.  Ademais, com esse juízo deixa ver toda a corrução que aflige a institucionalidade daquele país: o próprio irmão do Presidente da nação foi processado e declarado culpável de narcotráfico, o seja o crime organizado chegou até o mais profundo do Estado como ser o Poder Executivo.  O estudo, através da Análise Crítica do Discurso aborda as formas discursivas com as quais o Presidente Hernández tratou de se defender e até justificar o juízo do seu irmão.

INTRODUÇÃO

Acontece em muitas situações isso que a gente chamou de “segredo a vozes”, o seja, algo que, todo mundo sabe, mas que nenhum afirma saber.  No caso seguinte foi assim.  Tanto o Presidente Hernández como seu irmão Tony, sabia-se de suas conexões ilícitas mas, sendo este primeiro o dono de todos os poderes do Estado hondurenho, um juízo contra eles era impossível.  Surge ali uma luz para o povo: no novembro do 2018, Antonio “Tony” Hernández é apressado em Estados Unidos por suas conexões com o narcotráfico.  Hernández, olhando-se em tal situação, vai articular diversas estratégias discursivas para encobrir a verdade: argumentações que vão desde uma suposta vingança até de ingerência política de Venezuela com aliados hondurenhos, argumentos que, tomando emprestadas suas próprias palavras: só têm sentido no absurdo do país das maravilhas de Alicia.

Objetivo Geral

Identificar os mecanismos discursivos que o presidente hondurenho Juan Orlando Hernández utilizou para se referir ao juízo do seu irmão Antonio “Tony” Hernández.

Objetivos específicos

Descrever os usos discursivos do Juan Orlando Hernández nas suas falas sobre Tony e suas relações com o narcotráfico.

Classificar as falácias discursivas do Juan Orlando Hernández no contexto do juízo de Tony.

METODOLOGÍA

A metodologia que se utilizou foi a análise crítica do discurso baseada nos textos de Norman Fairclough e no compilatório Análise do Discurso: Gêneros, Comunicação e Sociedade (2006) dos organizadores Wander Emediato, Lúcia Machado e William Menezes.  Também, para identificar e interpretar as falácias, se utilizou os textos de Steve Allen (2017) e Charles Leonard Hamblin (1970), ambos especializados no tema.

O juízo de Tony Hernández é provavelmente para a história política de Honduras o momento mais importante, por ser a primeira vez que um político hondurenho é processado.  Ademais, com esse juízo deixa ver toda a corrução que aflige a institucionalidade daquele país: o próprio irmão do Presidente da nação foi processado e declarado culpável de narcotráfico, o seja o crime organizado chegou até o mais profundo do Estado como ser o Poder Executivo.  Assim, este caso e a forma na qual o Presidente Hernández a aborda é de suma importância para entender as formas de manipulação mediática que os políticos utilizam na região.

FUNDAMENTAÇÃO

Discurso

Para se diferenciar da herança saussuriana, Fairclough propõe o termo “discurso”, para trazer a luz que a linguagem é não apenas uma atividade individual, mas uma forma de prática social inserida em diferentes variáveis situacionais (Fairclough, 2001, p. 90).  Isso implica uma relação dialética entre o discurso e as estruturas sociais, ademais de ser um modo de ação, como estabelecerá Charaudeau, e também um modo de representação.   Nessa estreita relação entre sociedade e linguagem, a construção discursiva não será um uso arbitrário de cada pessoa, mas, na verdade, uma prática social, firmemente enraizada nas estruturas sociais concretas, se coordenando dentro delas.

Por isso, o discurso ajuda à construção de todas as dimensões da estrutura social, como ser as identidades sociais, as relações interpessoais, e os sistemas de conhecimento e crenças (Fairclough, 2001).  Essas três dimensões da estrutura social estão ligadas as funções da linguagem que Fairclough chama de identitária, relacional e ideacional. Contudo, é importante entender que a prática discursiva é uma forma de prática social, sendo a razão pela qual é capaz de mudar a estrutura social.

Como o discurso a analisar é o discurso político, é indispensável, então, defini-lo.  O discurso dentro do fenômeno político, vai atravessar quatro fatos: o político, que são os atos de autoridade e legitimidade; o social, que são as relações entre as elites e as massas; o jurídico, que é o quadro que regula a conduta; e a moral, o espaço de pensamento sobre os sistemas de valores (Charaudeau, 2006).  Portanto, o discurso político é um agir sobre o outro, uma finalidade de afeitar ao sujeito avo: Esta exigência completa a finalidade comunicacional por um objetivo de ação que consiste em colocar o outro em uma posição de obrigação a ser executada, em uma relação de submissão à posição do sujeito que fala (Charaudeau, 2006, p. 253).  De tal modo, o sujeito falante, se confere de uma autoridade já que dentro de esse agir que é o discurso, obriga ao sujeito alvo ao se colocar duma situação de submissão.  O discurso político, então, sendo o sujeito falante o sujeito de autoridade, e o sujeito alvo o sujeito de submissão, volve-se uma relação de poder: “O discurso político (bem como todo tipo de discurso) não tem sentido fora da ação, e que a ação busca, para o sujeito político (mas também para todo sujeito), o exercício de um poder” (Charaudeau, 2006, p. 252).

Análise Crítica do Discurso (ACD)

A Análise Crítica do Discurso não é apenas uma ferramenta, é uma teoria, assim como explica Fairclough, que vê a língua e especialmente a semiose numa relação com a sociedade, um elemento ou momento do processo social material, que dá margem a análises linguísticas ou semióticas inseridas em reflexões mais amplas sobre o processo social (Faircloough, 2010, p. 307).  A ACD parte do princípio no qual a semiose é parte fundamental dos processos sociais, sendo a semiose, todas as formas de construção de sentido, desde a língua até as imagens e deve a isso sua natureza interdisciplinar:

Without being eclectic, good scholarship, and especially good CDA, should integrate the best work of many people, famous or not, from different disciplines, countries, cultures and directions of research. In other words, CDA should be essentially diverse and multidisciplinary. […] Its multidisciplinary theories must account for the complexities of the relationships between discourse structures and social structures. Without explicit and systematic methods, no socially useful as well as scholarly reliable observations and descriptions can be produced (Dijk, 2001, p. 95).

O seja, a ACD é uma teoria heterogênea que chama à diversidade e, também, a multidisciplinaridade. Talvez, porque as práticas sociais que conformam a vida social como uma rede interconectada, sejam estas culturais, econômicas, políticas e demais, são fundamentalmente semióticas, e para poder ser entendidas é necessária essa diversidade e multidisciplinaridade da qual fala Dijk.  Estas práticas incluirão a atividade produtiva, os meios de produção, as relações sociais, identidades sociais, valores culturais, consciência e semiose, cada um se internalizando com os outros.  Resumindo, podemos entender como ACD:

A ACD é a análise das relações dialéticas entre semioses (inclusive a língua) e outros elementos das práticas sociais. Essa disciplina preocupa-se particularmente com as mudanças radicais na vida social contemporânea, no papel que a semiose tem dentro dos processos de mudança e nas relações entre semiose e outros elementos sociais dentro da rede de práticas (Fairclough, 2010, p. 309).

Sendo a importância da semiose, dentro dos processos de mudança, variável dependendo da prática social e do tempo.  Para entender isso, Fairclough propõe três maneiras de atuação da semiose: como parte da atividade social, na produção de representações e no desempenho de posições particulares.

Nessa perspectiva, a semiose dentro da atividade social constituirá gêneros discursivos, que são as maneiras diversas de agir, de produzir a vida social semioticamente (Fairclough, 2010, p. 310).  A semiose na representação constitui os discursos, o seja, representações da vida social.  E, finalmente, a semiose no desempenho de posições, constitui os estilos: identidades no seu aspecto semiótico.

A fim de entender todos esses aspetos e complexidades do discurso na sua relação dialética com as práticas sociais, Fairclough, baseado no teórico crítico Roy Bhaskar, apresenta o seguinte esquema analítico:

1. Dar ênfase em um problema social que tenha um aspecto semiótico.

2. Identificar obstáculos para que esse problema seja resolvido, pela análise:

a. Da rede de práticas no qual está inserido;

b. Das relações de semiose com outros elementos dentro das práticas particulares em questão;

c. Do discurso (a semiose em si):

i. Estrutura analítica: a ordem de discurso;

ii. Análise interacional;

iii. Análise interdiscursiva;

iv. Análise linguística e semiótica;

3. Considerar se a ordem social (a rede de práticas) em algum sentido é um problema ou não;

4. Identificar maneiras possíveis para superar os obstáculos;

5. Refletir criticamente sobre a análise (1-4) (Fairclough, 2010, p. 311).

mas que dá-se a atribuição que sim) como ser a extradição, a apreensão de bens e a depuração policial.  O seja, este discurso é um discurso pré-fabricado que o Hernández vai repetir constantemente, provavelmente, como diria Brown, como uma forma de sugestionar ao sujeito avo, já que a sugestão é um mecanismo de persuasão que consiste em liberar um esquema mental já existente: ao reproduzir uma e outra e outra vez o mesmo discurso, vai gerando na mente do escutador esse esquema mental.  Não seria a primeira vez que o Presidente Hernández tentará e tivera êxito com isso.  É inegável que o povo hondurenho ao momento de escutar a frase “voy a hacer lo que tenga que hacer” (“vou fazer o que tenha que fazer”) não traça à mente o Presidente Hernández, o qual fiz sua essa frase desde sua aparição no espaço político.  O seja, logrou sugestionar ao povo hondurenho.

Assim, Hernández não argumenta contra a declaração de Ardón, mas ataca ao próprio Ardón: essa declaração não tem fundamento segundo ele por ser uma que surge num juízo contra seu irmão que tem como finalidade se vingar dele e, principalmente, por ser Ardón um narcotraficante.

A outra vez aconteceu no dia 18 de outubro do ano 2019, fazendo uso da interdiscursividade, já que a publicação consta de dois discursos: um vídeo apresentando os supostos logros contra o narcotráfico, validados por órgãos do governo norte-americano, e um discurso escrito que diz assim:

En nombre de mi familia, y personalmente, recibo con gran tristeza las noticias del fallo en Nueva York.

¿Qué se puede decir sobre una condena basada en testimonios de asesinos confesos, y argumentos que varios de estos testigos no fueron extraditados por Honduras si Estados Unidos nunca los pidió en extradición?

En nombre del Gobierno de Honduras y de sus instituciones se rechaza cualquier falsa e irresponsable versión que busca manchar el nombre de Honduras a raíz de este fallo.

El Gobierno de Estados Unidos, a través de sus varias agencias, incluyendo la DEA, COMANDO SUR, Departamento de Estado ha hecho público sus fuertes reconocimientos que Honduras es un socio efectivo y de confianza en el combate al narcotráfico. Vamos a seguir, más fuertes que nunca, en esta lucha.

Vemos no segundo parágrafo como Hernández pretende desprestigiar a decisão da Corte dos Estados Unidos, por ser estes testemunhos de, como ele chama, assassinos confessos. Outra coisa importante a ressaltar neste discurso é como Hernández inicia se referindo a sua família e a ele pessoalmente, mas depois vira a falar do governo de Honduras, como se fosse o governo e não ele como tal quem está em tecido de julgamento. Nesse sentido, pretende, num primer momento, gerar um sentimento de compaixão ao leitor, e depois se afastar do julgamento das conexões com o narcotráfico ao se referir como “Governo de Honduras” e não como “eu, Juan Orlando Hernández”.  Seguindo essa postura, vai escrever não de “meu irmão foi declarado culpável de narcotráfico”, senão de “recebo com grande tristeza as notícias da decisão no New York”, o seja, busca na medida do possível encobrir as dimensões profundas nas quais ele está submetido nesse negócio.

Falácia da falsa equivalência

Esta falácia consiste em comparar duas coisas que, na verdade, não têm nenhuma relação (Allen, 2017).  Numa publicação do 17 de outubro do 2019, que apresenta umas fotos de armas com nomes de presidentes estadunidenses, Hernández dá a seguinte declaração:

El fiscal está usando una definición de “narcotráfico patrocinado por el estado” que es absurda: una foto de un arma con el nombre de un presidente.

Esto es lo que dijo el fiscal: “Esta foto del teléfono del acusado es una encarnación de lo que es el narcotráfico patrocinado por el estado. Esta es una ametralladora de la que escucharon ayer con el nombre del hermano del acusado grabado en ella.”

Que ridículo. Les comparto algunas fotos de armas con nombres grabados de presidentes.

Hernández pretende, através do que ambas situações têm em comum, o nome de presidentes nas armas, afirmar que as situações são as mesmas.  Primeiro nenhuma dessas armas foram evidência em algum caso contra os presidentes ou alegados, e segundo, com a isenção da suposta arma de Donald Trump, vemos que as demais, que são de Kennedy, Johnson, e Reagan estão sumamente ornamentadas, o seja, essas armas, mais que uma funcionalidade de proteção, provavelmente foram de exibição, especialmente pelas legendas que as armas de Kennedy e Johnson apresentam (ver imagem 1 e imagem 2); muito diferente da arma apresentada no juízo de Tony, a qual é uma CZ Escorpião Evo 3 S1, uma arma de grande poder de fogo, metralhadora semiautomática (ver imagem 3).

Imagem 2.

Imagem 3.

Argumento ad populum

Esta falácia vai se desenvolver no discurso de Hernández não de uma forma textual, mas como uma prática social e política. O dia 9 de outubro do 2019, o Presidente Hernández organizou uma marcha a seu favor, com a intenção de dar a imagem de que “o povo” apoiava ele.  Uma montagem mais.  A gente que foi era apenas de seu partido, ou bem, trabalhadores do Estado que se viram obrigados a ir a essa marcha.  Essa marcha vem a se contrapor, primeiro, as diferentes protestas que aconteceram nessas datas do juízo contra Tony, mas também às declarações que conectavam ao Presidente Hernández com o narcotráfico.  O argumento discursivo foi assim: “como posso ser eu culpável, como posso eu ser narcotraficante, se tenho o apoio desta multidão? ” A falácia ad populum então se expõe dessa maneira, achando que porque saem alguns, já sejam por não perder seu trabalho, ou por receber uma remuneração monetária, Juan Hernández é inocente, quando uma coisa não tem nada que ver com a outra.

O grito de um povo indignado

Já concluindo a pesquisa, acho de vital importância trazer a luz este momento tão emotivo como significativo.  O dia 18 de outubro do 2019, dia no qual Tony Hernández foi declarado culpável dos cargos, uma multidão de hondurenhos se aproximou à Corte, gritando “Fuera JOH” ao uníssono, evidenciando a fome de justiça que corrói ao povo catracho.  Assim, saindo a família Hernández, a multidão gritou a eles “assassinos”, “delinquentes”, “corruptos”, e há uma imagem que pode retratar essa indignação do povo hondurenho e a sangue fria dos Hernández (ver imagem 4), onde se aprecia na cara do jovem essa indignação, essa impotência que envolve saber que o país é governado por um delinquente e narcotraficante sem ter uma forma de leva-lo a juízo.  E por outra parte, temos a cara da mãe dos Hernández: indiferente, pedante, ignorando os gritos de um povo ao qual ela e seus filhos têm roubado mais que o dinheiro ou o poder, a esperança.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sendo a Análise Crítica do Discurso uma ciência social crítica, tendo a certeza que não me afasto da epistemologia da ACD, atrevo-me a falar, tanto como pesquisador social quanto como hondurenho, que o país está sequestrado por um megalómano que, se movendo de forma virtuosa pelos círculos políticos, conseguiu assumir todos os órgãos do Estado hondurenho, desde o exército até o poder judicial, deixando assim, ao povo hondurenho sem uma maneira sistemática de se liberar dele.  Desde que chegou de forma fraudulenta ao poder no 2014, até a reeleição inconstitucional e ainda, como na primeira vez, fraudulenta no 2017, têm sido inumeráveis protestas, paralisações, conflitos entre o povo e o corpo armado (polícias e militares) que deixaram sangue, feridas, lágrimas e mortes saldadas todas pelo povo hondurenho, incapaz de desfrutar daquela paz sonhada, um povo obrigado ao êxodo, múltiplas caravanas de milhes de hondurenhos saindo do país caminho a Estados Unidos de América, todo por culpa de um só hondurenho que, sedento do poder, sacrifica a estabilidade econômica, social e política de um país que já tinha sofrido muito inclusive antes dele.

Assim, através do presente estudo, pretendi evidenciar o cinismo com o qual Juan Orlando Hernández é capaz de mentir não só ao povo hondurenho, mas também à comunidade internacional que, tendo evidência suficiente para o condenar como o que é, um ditador, narcotraficante e corrupto, prefere guardar silêncio ante a situação de um país moribundo.  Tendo o coração na mão, gostaria, o qual acho pertinente para a problemática tratada nesta pesquisa, de finalizar com alguns versos do Hino Nacional de Honduras:

“Defendiendo tu santa bandera,

y en tus pliegues gloriosos cubiertos,

serán muchos, Honduras, tus muertos,

pero todos caerán con honor.”

Referencias

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  2. Arma con el nombre de Juan Orlando Hernández muestra Fiscalía en juicio contra Tony Hernández. 2019.
  3. Disponível em: Acesso em: 5 dez. 2019
  4. BROWN, J. A. C. Técnicas de persuasión: De la propaganda al lavado de cerebro. Trad. Rafael Mazarrasa. 4ta ed. Madrid, Espanha: Alianza Editorial, 1991.
  5. CHARAUDEAU, Patrick. O discurso político. Trad. Wander Emediato. IN: EMEDIATO, W.; MACHADO, L.; MENEZES, W. (org.) Análise do Discurso: Gêneros, Comunicação e Sociedade. Brasil: Núcleo de Análise do Discurso - Universidade Federal de Minas Gerais, 2006.
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  11. ERNST, J.; MALKIN, E. Honduran President’s Brother, arrested in Miami, Is Charged with Drug Trafficking. 2018.
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  13. PALMER, Emily. In an Explosive Honduras Drug Case, It Was a Trial by Twitter. 2019.